segunda-feira, 4 de julho de 2011

Dias de Dragão

Esses são dias incertos, dias desleais, dias em que eu sinto o tempo não fluir mais, então não me chame de louco, mas não sei mais distinguir o que passado, presente e futuro, minha alma pede socorro, pois não consegue ouvir um coração batendo no meu peito. Estou cansado demais para saber o que é certo e o que é errado, preso a uma rede de sentimentos indecifráveis, a saudade esta dilacerada e eu espero uma parte fundamental do que eu sou morrer para quem sabe nascer de novo. Eu sou a lamina incandescente castigada pelas dolorosas batidas do amor esperando esfriar para descobrir quem eu sou.
Se for no silencio que se formam as grandes tempestades, eu sou a gota na chuva agonizando para chover. Esses são dias cheios de pecado e nenhum perdão, a noite se divorciou do dia e o sol poente chora, ninguém o espera e ele não espera ninguém. Machuca-me a certeza que aquele trem que partiu da estação não volta mais e no meio do vento eu olho pra esse céu que já foi mais azul (e hoje é cinza) esperando um avião passar para eu sorrir...Eu sinto falta do sorriso que eu tinha no futuro que quase foi meu. É tudo passado, é tudo que ainda vai acontecer, são os pássaros que caem dos seus ninhos e as visões de uma nova musica.
Esses são dias abstratos, rascunhos de Deus para uma pintura maior, as notas de uma sinfonia que ainda não foi tocada, o convite para a festa, a sentença do condenado, a esperança do aflito. Eu escrevo na areia palavras de coragem para acreditar nelas novamente, aponto as estrelas mais brilhantes no céu para achar uma luz e vejo no horizonte o caminho que tantas vezes eu percorri, será justo quebrar mais uma promessa para não mais sofrer? Eu tenho tantos segredos que não são meus, eu tenho tanto e perdi tudo. Meus Dias, tudo que tenho, tudo que sobrou, minhas ruínas, o começo da minha obra, as lágrimas de um Dragão, meu sorriso mais doce, toda minha honra, parte da minha estupidez e o espírito da minha gloria.

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